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João Patrício: O realizador discreto que conquistou as tardes da TVI

Com meio século de vida e uma trajetória consolidada na criação e realização televisiva, João Patrício tornou-se um rosto inesperado nas tardes da TVI. O profissional, habituado a estar atrás das câmaras, acabou por conquistar o público com naturalidade, apesar de nunca ter imaginado tal desfecho. Quando confrontado com a ideia de ser uma “estrela pop da televisão portuguesa”, reagiu com humor: “Isso não faz qual-quer sentido, é um perfeito disparate”. A carreira nunca tinha sido pensada nesse sentido, nem existira ambição de protagonismo.

Durante anos, o realizador manteve-se fiel ao trabalho de bastidores, convicto de que essa era a sua verdadeira vocação. “Nunca me passou pela cabeça”, recorda, situando o momento em que tudo começou: quando a SIC lançou o Boca a Boca, programa de sábado à noite que dirigia. O formato exigia castings com leitura de teleponto e, por coincidência, o realizador acabava por fazer de interlocutor nos ensaios. As imagens foram depois revistas pela direção, e o nome de João surgiu como hipótese para apresentar o programa. A ideia foi imediatamente descartada pelo próprio

Apesar da recusa inicial, a hipótese de trocar o estúdio pela frente das câmaras não lhe causava medo. “Era tão feliz a fazer o resto que não concebia a minha vida sem estar a realizar, a formatar e a produzir televisão atrás das câmaras.” A dedicação à produção e à criação de conteúdos mantinha-se inabalável, motivo pelo qual o realizador não via sentido em abandonar esse papel. Contudo, a rotina meticulosa e a capacidade de organização acabariam por permitir-lhe conciliar as novas responsabilidades. “Sou muito metódico e tenho, naturalmente, gente que me ajuda nesse sentido.”

A proposta que mudou o rumo da carreira partiu de José Eduardo Moniz. “Foi o Zé Eduardo, e não foi convencer. Eu costumo dizer a brincar, mas é rigorosamente verdade, que fui coagido”, confessou entre risos. A decisão não surgiu de forma imediata: o diretor demorou quase três anos a obter uma resposta positiva. O projeto que marcou a estreia, A Sentença, nasceu como uma experiência, com 20 episódios previstos. “Fizemos o orçamento para 20. Também não foi um tiro no escuro porque sabíamos que, naquele horário e com o perfil que o programa tem, ia produzir impacto”.

O formato jurídico não era propriamente inédito, mas trouxe diferenças subtis. “Não era, de todo”, explicou o apresentador, lembrando que já nos anos 90 a SIC tinha O Juiz Decide. No entanto, A Sentença destacou-se pela abordagem contemporânea e pela composição do júri. “O júri-residente é formado por pessoas com as suas dúvidas e sensibilidades.” Questionado sobre o processo de seleção, o profissional respondeu com humor: “Não, mas passou naturalmente por mim [risos]. Porque eu faço aqui uma separação”, afirmou ainda à revista Nova Gente.

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